22 de mar de 2018

Controle de esfíncteres: "remover a fralda" ou "abandonar a fralda"?


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Hoje temos muitas informações sobre o funcionamento do sistema nervoso, também sabemos muito mais sobre o sistema emocional e suas conseqüências, mas há momentos em que, em vez de usar todo esse conhecimento para entender a criança e poder acompanhá-la em seu desenvolvimento, continuamos usando dicas antigas que não levam em conta esses aspectos, sendo algumas inclusive prejudiciais. Parece fácil que uma criança deixe de usar fralda, mais cedo ou mais tarde ela aprenderá a controlar seus esfíncteres, mas cabe a nós respeitar esse processo ou tentar acelerá-lo e, portanto, a criança vai viver esse processo de uma forma ou de outra.



O que é?
Chama-se de controle do esfíncter saber identificar quando você tem vontade de fazer xixi ou cocô e pode controlar sua saída até que esteja em um local adequado para fazê-lo. Isso parece fácil, certo?
Porém algo que os adultos acham tão simples, envolve mecanismos neurológicos, motores e emocionais que devem funcionar de forma coordenada.
Quando um bebê nasce, este sistema não é maduro, então lhe colocamos uma fralda. Depois o bebê começa a se desenvolver seguindo duas leis: a céfalo caudal e a próximo distal, de acordo com a primeira, a criança amadurece de cima para baixo, da cabeça aos pés, por isso ela poderá sustentar sua cabeça bem antes de andar. Quando a bexiga ou reto estão cheios, essa informação atinge a parte sacral da medula espinhal, uma área muito baixa da coluna vertebral, para que possamos entender que é um processo que não estará entre os primeiros a aparecer.
Por outro lado, o esfíncter voluntário precisa amadurecer (temos 2 esfíncteres, um interno, involuntário e outro externo e voluntário). Este músculo precisa amadurecer para que a criança possa contrair, fechar e decidir reter sua saída até chegar ao lugar certo para fazê-lo. E falamos de maturação, não de aprendizado porque não podemos ensinar-lhe como fazer tudo isso, assim como não podemos ensinar o que deve fazer para secretar certos hormônios.
O cérebro também tem um grande papel neste processo, entre outras coisas, é responsável por decidir quando fazer xixi e quando não, tomar conhecimento do corpo, quando avisar. Mas o cérebro humano não está maduro no nascimento, ele se desenvolve de baixo para cima, de dentro para fora e de trás para frente. Portanto, a parte do córtex, que decide, que inibe fazê-lo se não for adequado, que avisa é a última a amadurecer porque está na parte mais externa do cérebro, e para que a informação chegue da bexiga (notar que está cheia) até o cérebro deve subir através da medula espinhal, através do cérebro inteiro de baixo para cima para chegar ao córtex. No meio do cérebro está o sistema emocional do ser humano, de modo que toda a informação dos esfíncteres e sua experiência passa pelas emoções antes de chegar ao córtex, daí o porquê é de extrema importância como a criança vive o processo de controle do esfincter (se ela for repreendida, se for forçada, se sofrer comparação, se sentir dor) essas emoções serão gravadas no cérebro e é como ela vai vivê-la nas próximas vezes. Também nos permite entender que ante certas circunstâncias que afetam a criança emocionalmente estas podem levá-la a voltar a fazer xixi, cocô (como o nascimento de um irmão, mudar de escola, etc). Uma vez que a informação chega ao córtex, ela volta para a medula até a bexiga.
Além da maturação fisiológica, é necessário algo mais: a criança querer fazê-lo.
Com a informação que temos hoje, vemos que o controle de esfíncteres é muito mais complicado do que simplesmente sentar a criança em um vaso sanitário em determinados momentos e que é um processo de maturação e não de aprendizado.
Quando se aprende a controlar os esfíncteres?
À medida que a criança cresce, seu sistema nervoso amadurece, mas nem todas as crianças amadurecem ao mesmo tempo. É um processo que precisa de tempo e que apresenta múltiplos avanços e contratempos.
Como as crianças nascem em todos os meses do ano e cada uma amadurece a seu próprio ritmo, haverá crianças que deixarão a fralda no verão, outras no outono, outras na primavera e outras no inverno. É costume esperar o verão para "remover a fralda", mas se uma criança estiver pronta, ela molhará pouca roupa e isso parece ser o único motivo por que esta temporada é esperada.
Em relação à idade, depende de cada criança e a margem é muito ampla, geralmente é estabelecido que esta maturação de que falamos aparece entre 18 meses e 5 anos.
De acordo com Schore (1996) "até 18 meses ou mais, a criança não tem amadurecidas as conexões entre o cérebro, o sistema nervoso autônomo e os músculos do esfíncter que lhe permitem tornar-se consciente de seus estados corporais internos e voluntariamente controlar a evacuação de fezes e urina".
Villamarín em seu livro Cirurgia Pediátrica, afirma: "Aos quatro ou cinco anos de idade, o reflexo da micção deve ser totalmente integrado no córtex central. A criança agora está ciente do desejo de urinar, bem como possui a capacidade de iniciar, interromper ou adiar a micção pela contração da musculatura voluntária e relaxamento do detrusor".
De acordo com o DSM IV, que é o manual utilizado por clínicos e pesquisadores nas ciências da saúde para diagnosticar diferentes transtornos mentais, se estabelece desordem de eliminação quando uma criança não controla fezes após 4 anos e urina a partir de 5 anos; chegada essa idade é quando se deve fazer uma avaliação do caso (o que não significa que haja um problema). De acordo com a Academia Americana de Psiquiatria é completamente normal não controlar os esfíncteres até as idades indicadas.
Como sabemos se elas estão prontas?
As crianças começam a dar sinais de que estão amadurecendo, mas não devemos cair no erro de confundir esses sinais com que a criança já está preparada e controla esfíncteres. Alguns desses sinais são:
 Percebe o que estamos fazendo no banheiro (desde que nos vejam), isto é, tem curiosidade.
 Remove e abaixa a roupa.
 A fralda está seca.
 Quer sentar no vaso ou no penico.
 Ela se esconde para fazer cocô (como os adultos).
 Ela começa a dizer que tem xixi ou cocô depois de fazê-lo (que ela tenha consciência não indica que ela controle os esfíncteres), então ela começa a nomeá-lo quando faz e finalmente aprende a avisar antes.
 Geralmente, elas primeiro aprendem a controlar o cocô noturno, depois durante o dia, seguido do controle diurno do xixi e, finalmente, controle noturno da urina.
E à noite?
O controle da urina noturna é diferente do diurno e é devido a um hormônio do ADH, é um mecanismo diferente e mais lento.
O que podemos fazer?
A primeira coisa a ter em mente é como a criança se desenvolve. Muitas vezes, o melhor seria não fazer nada, a criança aprenderá porque é uma questão de maturidade, nenhum adulto saudável faz xixi ou cocô nas calças, o que significa que o ser humano como espécie controla os esfíncteres.
Existem muitas técnicas para conseguir isso, algumas mais precisas do que outras, mas a verdade é que, o que quer que façamos, a criança a longo prazo acabará por controlar os esfíncteres, mas como ela viveu esse processo, quais as repercussões que ela terá a longo prazo (ou mesmo a curto prazo) é o que diferencia algumas técnicas das outras.
Nós podemos:
 Explicar o que é o penico e para que serve (a criança não é um adivinho).
 Deixá-las nos ver quando vamos ao banheiro, com naturalidade (desde que não nos incomode). Todos nós fazemos xixi e cocô, é uma necessidade do nosso corpo como o é comer, então devemos vivê-lo como algo natural, evitando comentários do tipo "Eca, que nojo".
 Permitir que conheça seu corpo e o explore. Primeiro elas precisam conhecer a si mesmas para poderem entender no outro.
 Especialmente quando são bebês, permitir a liberdade de movimento: não colocá-los em posições que eles não consigam por si mesmos, não sentá-los até que o façam sozinhos, não colocá-los em pé, evitar o uso de cadeirinhas de balanço, dispositivos que não os deixem mover-se livremente, uma vez que esses movimentos e posturas que eles descobrem são o que lhes permitirá tonificar seus músculos e não forçá-los, uma vez que a pressão sobre o assoalho pélvico é excessiva quando os músculos não estão bem tonificados.
 Pôr em palavras o que acontece.
 Chamar as coisas pelos seus nomes. Se dizemos que o que sai do bumbum é caca, o que está no chão deve ser sujeira. Não podemos dizer a uma criança que a caixa amassada no chão na rua é "caca" e depois dizer "nós vamos ao banheiro para fazer caca".
 Deixar que perceba o que acontece sem estar de fralda.
 Vesti-la com roupas confortáveis.
 Não comparar.
 Aceitar seus retrocessos como parte do processo: haverá dias ou semanas em que mostrará muito interesse e, então, parecerá que já não lhe importa, haverá crianças que controlam o xixi, mas que irão pedir para colocar a fralda para fazer cocô, crianças que fazem uma vez no penico, mas não farão novamente por meses.
 Não repreender, não castigar, não ridicularizar, mesmo que seja de forma sutil: "Você deixou escapar de novo!", "Tão grande e de fralda", "A fralda é pros pequenos". Lembre-se de que a informação desse processo passa pela sua parte emocional e essa é a experiência do processo.
 Não forçá-lo a sentar-se no vaso.
 Não usar punições, nem prêmios, pois eles são o outro lado da mesma moeda em que os mecanismos de motivação extrínseca são postos em prática. Se o processo consiste em que a criança seja capaz de perceber que ela tem vontade e então ir a um banheiro para fazê-lo, não faz sentido ser recompensada de fora por um processo interno. Se ela não controla, não é porque não quer, é porque não pode. Aqui entram os adesivos com carinhas sorridentes, as coleções de fichas (placas com adesivos que são preenchidos de acordo com as vezes em que conseguem e, no final, um prêmio é dado), bem como os penicos musicais. Alguns podem pensar que uma recompensa não seja apropriada, mas que seja correto que nos mostremos tristes ou felizes dependendo de se eles o fazem em um lugar ou outro. Porém lembramos que o controle de esfíncteres é um processo interno que precisa de uma motivação intrínseca que vem da própria criança, que ela não deveria fazê-lo para nos agradar (para não mencionar como isso afeta a experiência emocional do processo).
Quem está no controle?
Se a criança controla, ela controla:
Se ela controlar e usar uma fralda, ela chegará a um banheiro e vai tirá-la como se fosse uma calcinha ou cueca, pois não vai querer fazer nas calças. (Isso pode ser testado colocando uma fralda em uma criança de 7 ou 8 anos e observando se ele prefere fazer nas calças "porque tem uma fralda" ou se vai preferir ir ao banheiro.)
Não haverá escapes enquanto ela estiver brincando.
Não vai dizer que não fez quando tiver feito.
Não precisamos estar perguntando de hora em hora se ela quer fazer.
Se a criança estiver consciente de seu corpo, ela poderá controlar. Se somos nós os que a sentamos a cada hora com a esperança de que algo saia (e não a levantamos dali até que saia), se somos aqueles que constantemente perguntamos se ela quer fazer, somos nós que controlamos seu corpo, não permitindo à criança estar ciente, sentir e controlar; e não esqueçamos que o objetivo é que a criança controle seus esfíncteres, não nós por elas. Mas é verdade que, se assumirmos o controle, é "mais rápido" e podemos até "remover a fralda" (o que não é o mesmo que abandonar a fralda) de crianças bastante pequenas, mas devemos estar conscientes de que, neste caso, a criança não controla os esfíncteres, mas a estamos "treinando", estamos fazendo uma relação entre "sentar no penico = cocô ou xixi" ou "estar sem roupas = cocô ou xixi", mas ela não está estabelecendo um relacionamento entre "Como eu me sinto = cocô ou xixi". Não nos enganemos, neste caso a criança não controla nada, é o adulto quem o faz.
E se eu retirar e a coisa não estiver indo bem?
Há uma lenda que diz que se você tirar a fralda você não pode voltar a colocá-la, e eu gostaria de saber o motivo.
Se percebemos que nos apressamos, que a criança ainda se suja, que se não a "sentarmos" no penico ela faz nas calças, que "não pede", sempre podemos voltar a colocar a fralda, não há nada de errado em corrigi-lo.
O que acontece se não respeitarmos o processo?
Além de todo o envolvimento emocional (tanto da criança quanto dos pais, elas o vivem com prazer ou angústia?) em crianças que tiveram suas fraldas "removidas" antes de estarem prontas, que ficaram sentadas em um penico a cada X horas, que não tiveram permissão para ouvir o corpo e senti-lo, podemos encontrar problemas tanto a curto quanto a longo prazo. A curto prazo, podemos encontrar o medo de fazer cocô, o que a leva a segurar, a sentir dor quando defeca e, portanto, a problemas de constipação. A longo prazo, se associou em meninas que tiveram suas fraldas removidas antes de estarem prontas, problemas para manter relações sexuais prazerosas quando adultas.
Às vezes, são crianças que, em vez de "controlar seus esfíncteres", aprendem a fazer força para reter e segurar seus esfíncteres.
Por outro lado, temos que pensar sobre o maravilhoso tempo de brincadeiras e aprendizado que uma criança sentada em um penico perde enquanto espera por "algo sair", se ela controla ela não precisa esperar. É quando o controle se torna um hábito.
O que acontece com o tempo?
O controle dos esfíncteres é um processo que leva tempo para permitir que os sistemas amadureçam, mas nós realmente temos tempo e damos o tempo necessário para que a criança controle os esfíncteres?
Costumamos falar sobre dar tempo à criança, mas aqui na Espanha, quando o verão dos 2 anos se aproxima, começamos a nos apressar e esquecemos que o processo precisa de tempo. Por quê? Porque geralmente não podem entrar na escola com fralda (no caso de escolaridade aos 3 anos, na Espanha, não é obrigatório fazê-lo até 6). O motivo? Porque uma norma criada pela sociedade teve mais peso do que ter em conta a fisiologia da criança. Haverá uma grande parte das crianças que irão controlar, mas também uma porcentagem que não será capaz, Sanchez e cols (1983) estabelecem que 21,1% das crianças espanholas aos 5 anos têm enurese, Font (1985) estabelece 16, 5% . Até 5 anos é normal que a criança não controle os esfíncteres (já vimos acima nos critérios da APA). Por que exigimos algo que vai contra a natureza? Será que pensamos que todas as crianças ganham o primeiro dente aos 5 meses? O que podemos fazer? Lutar contra a natureza ou colocar meios? Se entendemos o processo, se entendemos a criança, talvez seja hora de exigir mais assistentes nas escolas para que a criança que precisa possa ir de fralda e não acelerar processos que comprovadamente tem conseqüências a curto e longo prazo.
Estamos indo contra a natureza quando deveríamos ir contra crenças infundadas e normas sociais sem base.
A criança saudável acabará controlando os esfíncteres antes ou depois, temos o comando sobre como ela pode viver esse processo. Talvez se começássemos a falar sobre "abandonar a fralda" em vez de "remover a fralda", começaríamos a entender que é um processo de amadurecimento que depende da criança e não do adulto.
Por Laura Estremera Bayod, Professora de audição e linguagem, Técnica superior em educação infantil, autora de Criando.
Tradução do texto e adaptação da imagem ao português Gabrielle Costa de Gimenez @gabicbs

3 de out de 2017

Preparando-se para a Escrita: Descanse o Lápis e Vá Brincar nas Barras!

As mãos da criança são uma importante ferramenta para o aprendizado. Com as mãos, ela controla o mundo à sua volta, constrói e cria tudo que imagina, e também se expressa – primeiro com gestos, depois com rabiscos e, por último, com a palavra escrita.
Os pais sabem da importância da coordenação motora fina – especialmente para a escrita –, e talvez por isso haja tantas perguntas relacionadas a esse assunto. Eis a minha resposta…
Deixe o lápis de lado por um tempo e vá brincar nas barras.

A ORDEM NATURAL DAS COISAS

O controle muscular e a coordenação da criança se desenvolvem de forma natural, ordenada – de cima para baixo e de dentro para fora –, começando na cabeça e avançando em direção aos dedos dos pés, e do tronco para os membros superiores (braços) e inferiores (pernas). Essa ordem de prioridade, estabelecida pelo cérebro, garante que os músculos maiores, necessários para a coordenação e locomoção (mover-se do ponto A ao ponto B), estejam bem organizados e no controle, antes de comandar os mais de 60 músculos combinados das mãos (para não falar da enorme quantidade de ossos, centenas de ligamentos e tendões etc. etc.).
Assim, você pode perceber que, na hierarquia do desenvolvimento, as mãos vêm por último.

O QUE É DESENVOLVIMENTO MOTOR FINO?

Mas isso não significa que as mãos do seu filho não estão se desenvolvendo conforme ele cresce. As mãozinhas das crianças começam com uma pegada simples, reflexa, que utiliza toda a mão. Com o tempo, os reflexos iniciais se integram, e o movimento de pinça desabrocha, permitindo à criança utilizar o dedo indicador juntamente com o polegar. A cada dia, você irá perceber mais e mais movimentos deliberados das mãos e dos dedos. Mas isso não é uma habilidade motora fina – ainda não.
Habilidades motoras finas são o controle motor de alta precisão necessário para integrar o funcionamento dos cinco dedos, possibilitando a execução de atividades detalhadas que exigem movimentos minuciosos, quase imperceptíveis, como a utilização de um lápis para escrever o nome.
Mas o ato de escrever o próprio nome não depende só do punho, por assim dizer. Na verdade, esse simples ato envolve o corpo inteiro.
O QUE É PRECISO PARA ESCREVER MEU NOME:
  1.  A parte superior do corpo deve estar fortalecida o bastante para manter a posição de pé ou sentada.
  2.  Os músculos dos ombros devem estar fortalecidos o bastante para controlar o peso do braço, e flexíveis o bastante para girar livremente a fim de posicionar o braço para escrever.
  3.  O braço deve suportar o peso do antebraço e da mão, possibilitando que a mão deslize sobre a página.
  4.  O antebraço deve fornecer um ponto de apoio firme para que o punho possa girar.
  5.  O punho deve manter a mão firme e girar para a posição adequada.
  6.  Os dedos devem se dobrar em torno do lápis, que se mantém no lugar graças ao polegar.
  7.  Juntos, os cinco dedos fazem sobre o papel uma dança de alta precisão: a) posicionando o lápis no ângulo exato sobre o papel, b) pressionando e mantendo o nível correto de pressão a fim de deixar a marca do lápis, e c) coordenando os movimentos de subida, descida, para a esquerda e para a direita sobre a página.
Se algum dos músculos nessa cadeia deixar de funcionar, escrever o próprio nome poderá se tornar uma tarefa muito difícil.
O que nos traz de volta às barras do parquinho de diversões…

BRINCAR PARA DEPOIS ESCREVER

Escalar, pendurar-se, balançar-se, bem como quaisquer outras atividades que fortalecem a parte superior do corpo e os músculos estabilizadores, são de fundamental importância como precursores das habilidades motoras finas.
Atividades que envolvem movimentos de torcer, girar, pendurar e balançar ajudam no desenvolvimento da flexibilidade e agilidade necessárias para a rotação dos ombros, cotovelos, punhos e dedos.
Empurrar, puxar e levantar o peso do próprio corpo aumentam a força física ao mesmo tempo em que auxiliam no desenvolvimento de uma compreensão intuitiva de conceitos elementares da física, como peso, pressão e resistência.
E, quando seu filho voltar da brincadeiras nas barras, “fazer bagunça” com brincadeiras sensoriais ajuda a fortalecer os músculos das mãos e auxilia na destreza. Brincar com massinhas de modelar, areia e água, barro (sim, barro!) e qualquer outra coisa que estimule o tato, proporciona uma ótima experiência sensorial para o cérebro e para as mãos, o que um dia poderá resultar em uma letra mais bonita!
Então, lembre-se: quando o assunto é preparar-se para o aprendizado da escrita, pense em brincar nas barras!
Às vezes, não é possível dar um passeio no playground para brincar nas barras. Então, aqui vão algumas das minhas atividades favoritas, que você pode fazer em casa, para ajudar no fortalecimento da parte superior do corpo e dos músculos estabilizadores. Enquanto isso, as mãos esperam sua hora chegar.

CARRINHO DE MÃO


Brincar de “carrinho de mão” pela sala ou no quintal é uma ótima maneira de fortalecer os braços (no intervalo das risadas, é claro).  Dica importante: recomendo que você segure seu filho pelos quadris, em vez de pelos pés. Isso evitará que se forme um arco nas costas, ao mesmo tempo em que diminui a carga sobre os bracinhos.

CARANGUEJO


As crianças adoram essa brincadeira, e você se surpreenderá ao ver como elas conseguem ir longe “andando” assim, com um pouco de prática. Sente-se no chão e erga o bumbum, apoiando-se nas mãos e nos pés. Então, “carangueje” o máximo que conseguir. Peça às crianças para irem para frente e para trás!

LAGARTA


Quão longe você consegue ir “andando” como uma lagarta? “Ande” com ambas as mãos, depois com ambos os pés.
Artigo de Gill Connell e Cheryl Mccarthy traduzido do inglês com permissão de Moving Smart

10 Atividades para as Crianças Exercitarem as Mãos

 O fraco desenvolvimento dos músculos das mãos e a falta de destreza podem levar uma criança a ter dificuldades para realizar coisas simples, como segurar um copo de vidro, ou mais complexas, como amarrar o cadarço. Na hora de aprender a escrever, também será mais difícil segurar o lápis corretamente e exercer a necessária pressão sobre o papel.
Justamente para evitar esses problemas, trouxemos hoje mais 10 atividades divertidas para exercitar e  fortalecer as mãos das crianças. Elas são indicadas para pequenos de 2 a 6 anos.
1. Escalada. As opções são muitas: escalar uma árvore, subir em uma corda pendurada firmemente num galho, nas barras do playground ou numa parede de escalada. Estimule as crianças a praticarem diferentes tipos de escalada, trabalhando mãos, braços, ombros e outras partes do corpo.
2. Miçangas e barbante. Junte miçangas, contas, botões e outros objetos que possam ser colocadas em um barbante. Pode-se também cortar pequenos pedaços de um canudinho. Pegue um pedaço de 40 a 50 cm de barbante ou fio de lã e dê um nó em uma das pontas. Peça para a criança colocar as peças no fio.
3. Papel. Seja rasgando, amassando ou cortando com a tesoura, ao usar papéis de diferentes gramaturas, os pequenos realizam movimentos que apuram a coordenação motora fina. 
4. Tirando leite da vaca. Fure os dedos de uma luva de borracha com uma agulha. Encha a luva com água e deixe os pequenos espremerem com força como se estivessem fazendo a ordenha de uma vaca.
5. Furadores. Existe no mercado uma série de furadores de diferentes tamanhos e formas.  Deixe os pequenos apertarem os furadores usando papéis de cores e texturas diferentes. Então, façam uma atividade artística, na qual os recortes sejam colados no sulfite ou na cartolina. O uso do tubo de cola também é uma atividade que estimula os músculos das mãos.
6. Atividades cotidianas. Coloque a criançada para ajudar nas tarefas da casa. Peça para seu filho torcer panos de prato ou flanelas e estendê-los no varal.  Dê-lhe um paninho úmido e proponha o desafio de tirar sujeiras impregnadas na mesinha de metal, no chão ou nas portas do armário da cozinha. Se você tiver em casa uma mangueira com esguicho, deixe-o regar as plantas. Na hora de abrir uma massa, entregue o rolo de macarrão ao pequeno. Deixe-o ajudar na sova de um pão.
7. Porca e parafuso. Rosquear uma porca num parafuso é tarefa fácil para um adulto, mas para uma criança de 2 ou 3 anos é um desafio e tanto!
8. Prendedor de roupa. Incentive as crianças a trabalharem o movimento de pinça, exercitando a força dos dedos indicador e polegar, com o uso de prendedores de roupa. Elas podem “pescar” pompons coloridos ou bolas de algodão em uma tigela ou tirar e pôr prendedores no varal.
9. Blocos de encaixe. Blocos de encaixe como Lego, Lego duplo e Megablocks também são uma ótima alternativa.
10. Pinça. Exercite a concentração e a coordenação motora fina das crianças pedindo para elas pegarem pompons, grãos de feijão ou outros objetos pequenos com uma pinça. Faça atividade semelhante usando um pegador de macarrão e blocos de madeira. Peça para os pequenos tentarem empilhar os blocos usando o utensílio.
www.comoeducarseusfilhos.com.br 

29 de set de 2017

Autismo e Integração Sensorial



Integração Sensorial é a habilidade em organizar, interpretar sensações e responder apropriadamente ao ambiente, auxiliando nas atividades do dia-a-dia.
Kanner  e Asperger descreviam reações fora do comum de seus pacientes autistas com relação aos sons, toque, cheiros, estímulos visuais e paladar.
Alguns estímulos aparentemente comuns são percebidos como algo estressante, causador de medo e ansiedade, enquanto outros, como fontes de prazer e satisfação.
Crianças autistas com problemas sensoriais apresentam dificuldade em interpretar e organizar as informações sensoriais vindas do seu próprio corpo ou do ambiente.
Uma criança autista pode, por exemplo, ignorar um barulho muito alto ou não responder ao seu nome (Hipo-resposta), e ficar agitada e gritar ao escutar o barulho de liquidificador, enceradeira, secador de cabelo ou latido de um cachorro (Hiper-resposta). Pode ainda, reagir emocionalmente ou agressivamente ao toque (Hiper-resposta) ou apresentar necessidade incomum de tocar certos brinquedos, superfícies, texturas ou pessoas (Hipo-resposta).
A criança autista que apresenta Hiper-resposta  a estímulos sensoriais pode demonstrar alterações comportamentais como: agitação, choro imotivado, irritabilidade, movimentos estereotipados excessivos ou agressividade. Já a criança que apresenta Hipo-resposta  demonstra comportamento de passividade, sem reação aos estímulos externos e  pouca resposta para estímulos como toque, sons, cheiros, sabores e texturas.
Nesse sentido a abordagem de Integração Sensorial em crianças autistas, tem como objetivo: Diminuir movimentos estereotipados, aumentar a capacidade de atenção, comunicação, interação social, organização interna e melhorar desempenho em atividades do dia-a-dia.
Trabalhar a  INTEGRAÇÃO SENSORIAL promove:
o    Organização de conduta à criança;
o    Fornece condições para que a criança explore o ambiente.
o    Aumento da habilidade em manter a atenção;
o    Melhora na coordenação e planejamento dos movimentos para que a criança obtenha sucesso nas atividades que lhe interessam;
o    Melhora na autoestima e confiabilidade em si e em suas habilidades;
o    Melhora nos aspectos sociais e ambientais a partir da participação nestes contextos.
Quando o processo de Integração Sensorial é desorganizado, vários problemas de aprendizagem, desenvolvimento ou comportamento podem aparecer. Muitas crianças com distúrbio de Integração Sensorial são incapazes de brincar. Há certos distúrbios que tornam difícil para a criança interagir com o brinquedo. Pode parecer desajeitado em atividades que envolvam movimentos (Jogar futebol, pular corda) ou não conseguir manter um objeto seguro nas mãos, podem estar ligados diretamente ao processamento inadequado das informações sensoriais e a consequente não integração das informações sensoriais.
Uma sensação pode ser agradável para uns e extremamente desagradável para outros. Isso ocorre porque o caminho que as sensações fazem até o cérebro pode ser diferente na sua intensidade, com isso as respostas vindas do cérebro podem ser de Hipersensibilidade (+), de Hipossensibilidade(-) ou Intensidade Adequada
Os pais geralmente conhecem e compreendem seus filhos melhor que qualquer pessoa e às vezes precisam de ajuda para entenderem alguns comportamentos que observam nas crianças.
Indicadores de disfunção de INTEGRAÇÃO SENSORIAL:
o    Escolher sempre os mesmos brinquedos, preferencialmente aqueles que têm um papel claro e bem definido;
o    Passar de uma atividade a outra com frequência, não concluindo essas atividades;
o    Ao desenhar faz sempre as mesmas figuras;
o    Ser desajeitado e esbarrar em tudo que encontra;
o    Ter dificuldade de pegar uma bola ao ser jogada, não antecipando o movimento;
o    Preferir muitas vezes atividades mais sedentárias;
o    Apresentar dificuldades na alimentação, vestuário e higiene pessoal;
o    Apresentar dificuldade na imitação;
o    Evitar situações novas, frustrar-se facilmente;
o    Preferir seguir rotinas;
o    Criar rituais e rotinas;
o    Dificuldade em julgar a força necessária para tocar uma pessoa ou um objeto;
o    Apresentar incômodo ao cortar as unhas e cabelo;
o    Incomodar-se com etiquetas nas roupas;
o    Incomodar-se com um simples carinho, reagindo agressivamente, parecendo ansioso OU tocando objetos e pessoas excessivamente;
o    Não anda descalço OU adora andar descalço principalmente na areia ou grama;
o    Chora quando toma banho no chuveiro OU adora tomar banho no chuveiro;
o    Evita o toque e está sempre distante das pessoas OU quando tocado não percebe o toque;
o    A alimentação é seletiva, escolhe alimentos com base na mesma textura ou consistência OU adora comer alimentos com texturas variadas, crocante e/ ou apimentados;
o    Escovar os dentes parece muito sofrido;
o    Enjoa ao andar em carro ou ônibus;
o    Barulho de geladeira, liquidificador e ventiladores incomodam, muitas vezes dificultando sua atenção nos ambientes;
o    Evita parquinho (gira-gira, balanços, escorregador) OU adora parquinho e procura muita intensidade nesses brinquedos;
o    Não gosta de permanecer em filas;
o    Evita sujar-se, não gosta de brincadeiras que envolvem pintura, argila OU suja-se nas brincadeiras e não demonstra qualquer incômodo; não percebe que está sujo;
o    Usa roupas torcidas no corpo;
o    Morde-se OU morde o outro;
o    Parece ter prazer em cair;
o    Parece não ter saciedade OU não sentir fome;
o    Parece não ouvir e adora música alta;
o    Cheira objetos;
outros indicadores de  DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL (DIS)
o    Atraso na fala, na linguagem, nas habilidades motoras ou nas aquisições escolares;
o    Problemas com autoestima, podendo parecer preguiçosa, entediada ou desmotivada, evitando as tarefas que são difíceis ou que a envergonham.
Conhecer o perfil sensorial da criança é muito importante, pois há associação direta entre o comportamento apresentado e a maneira como uma sensação é recebida do meio ambiente.
O que caracteriza a Terapia de INTEGRAÇÃO SENSORIAL (IN)
A Terapia de integração sensorial se realiza em um ambiente com vários estímulos, onde a criança poderá explorar os sistemas sensoriais e fazer bom uso destas, de uma forma lúdica e integrada com a Terapeuta Ocupacional (Ou outro profissional preparado)e  com pais.

Avaliação - Sensory Integration and Praxis Test - SIPT

 O SIPT consiste em uma avaliação padronizada da abordagem de Integração Sensorial de Ayres que reúne 17 testes fundamentados teoricamente por pesquisas científicas desde os anos 60. Esta avaliação é produto de mais de 30 anos de investigações e prática clínica da terapeuta ocupacional Jean Ayres sobre a Integração Sensorial e as Disfunções do Processamento Sensorial.
            O SIPT nos permite avaliar e expressa em detalhes, resultados quantitativos e qualitativos de diagnósticos dos distúrbios de integração sensorial e práxis. A aplicação e interpretação dos resultados só pode ser realizada por um terapeuta ocupacional com formação específica para o SIPT através da Certificação completa em Integração Sensorial (VIDE informações sobre a Certificação no Brasil). Os resultados desta avaliação descrevem as evidências do diagnóstico de disfunções do processamento sensorial e favorece ao terapeuta e sua equipe, o direcionamento do tratamento e orientações necessárias à família e à escola.
            É válido esclarecer que o SIPT não oferece medidas de inteligência ou do desempenho acadêmico de uma criança mas, é um método padronizado para avaliar a práxis humana e suas habilidades fundamentais, como os sistemas tátil, vestibular e proprioceptivo, os quais apresentam relações significativas na aprendizagem e no comportamento.
            Sua aplicação é indicada para crianças de 4 a 8 anos e 11 meses e ele pode ser utilizado em conjunto com outras avaliações de Integração Sensorial como Observações Clínicas, Perfil Sensorial e Sensory Processing Measure (SPM). Além disso, o processo de avaliação deve ser enriquecido com observações livres, histórico do paciente e entrevistas com a família.
            O SIPT é composto por 17 testes organizados em quatro categorias:
                         
1. Percepção Visual Motora Livre
Os testes desta sessão avaliam a habilidade de perceber e discriminar visualmente a forma e o espaço sem envolver a coordenação motora. Os testes nos possibilitam também avaliar qual a mão que a criança usa e se cruza a linha média do corpo de forma espontânea ou tende a usar apenas um lado do seu corpo.

2. Somatosensorial
Os testes desta sessão avaliam percepção muscular, tátil e das articulações.  Nos testes somatosensorial as crianças são convidadas a "sentir" ao invés de "ver".

3. Praxis
A habilidade prática é avaliada de seis maneiras diferentes: interpretar verbalmente instruções e assumir determinadas posições; habilidade de copiar modelos simples em representação dimensional; habilidades constitucionais (avaliação da forma visual e percepção de espaço). Imitação de posturas corporais, movimentos e posição oral: de mandíbula, língua e lábios. E por último, imitação de movimentos seriados de braços e mãos.

4. Sensório – motor
Quatro testes sensório - motores que envolvem a integração sensorial estão incluídos no SIPT. O primeiro é a coordenação bilateral (habilidade de coordenar os dois lados do corpo), equilíbrio estático e dinâmico, precisão motora (avalia a coordenação olho-mão, capacidade prática, percepção visual e coordenação motora) e finalmente, o Nistagmo Pós Rotatório. Este, mede a duração dos movimentos reflexos do olhos após a rotação do corpo e é especifico para identificar como o sistema nervoso está integrando sensações do sistema vestibular.

Abaixo, os 17 testes que são aplicados e analisados no SIPT:

1. Visualização Espacial
2. Figura Fundo
3. Equilíbrio Estático e Dinâmico
4. Cópia do Desenho
5. Práxis Postural
6. Coordenação Motora Bilateral
7. Práxis do Comando Verbal
8. Práxis Construcional
9. Nistagmo pós Rotatório
10. Precisão Motora
11. Práxis Seqüencial
12. Práxis Oral
13. Percepção Manual da Forma
14. Cinestesia
15. Identificação de dedos
16. Grafestesia
17. Localização dos Estímulos Táteis

Referências:
MAILLOUX,Z. AN Overview of the Sensory Integration and Práxis Test. The American Journal of Occupational Therapy, v44, n7, 1990.
BODISON, S., MAILLOUX,Z. The Sensory Integration and Práxis Tests: Illuminating Struggles and Stengths in Participation at School. OT Practice, v.11 n17, 2006.

Fonte: www.integracaosensorialbrasil.com.br

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